
tenho medo de ser esta incógnita para sempre eu passo noites em claro andando de um lado para o outro lendo livros, olhando para o céu, admirando pessoas atravessando a faixa de pedestres porque tento procurar no outro, um pouquinho do "eu" que se perdeu ou que talvez nem mesmo se encontrou alguma vez tenho medo de ser esta incógnita para sempre de nunca haver uma resposta para quem eu sou tenho ainda mais medo de não ser compreendida por ti de tu me olhar e não enxergar nada além do vazio que habita meu peito tento acreditar que um dia irei me achar mas, por aqui, a esperança é rápida, amor, é curta demais ela se vai com o vento o mesmo que seca minhas lágrimas e que me tira para dançar para afastar as dores já decorei todos os caminhos no mapa de minha alma e ainda não consigo parar de marejar neste mar imenso é desesperador olhar o quanto falta nadar até chegar em mim outra vez vou de ponta a ponta quase perco o fôlego buscando por respostas sem perguntas nado mares e rios atravesso ruas e ruelas meu peito vira do avesso para ver se me encontro traço uma rota torta de volta ao lugar que me perdi eu erro o caminho tenho que dar meia volta volta e meia queria ser lar para ti mas eu mesma não consigo avistar chave nenhuma que me ajude a abrir o caminho para nos deixar entrar queria ser conforto para ti mesmo em meio ao caos em meio aos cacos do vaso que escorregou de minhas mãos tento juntar todas as flores tu me ajuda resgatar uma por uma tu beija cada pétala e as entrega em minhas mãos e, por um instante, esqueço das dores tu me ensina a olhar para elas com mais carinho, paciência e amor e é quando noto que mesmo errando muitas vezes o caminho de volta a mim eu ainda hei de me encontrar nos livros, no céu, nas pessoas, no mar, nas flores, nas dores eu ainda hei de me ter no alcanço dos olhos ainda hei de abraçar todas as minhas fragilidades, irei me refazer em meus braços, e o amor ainda há de me habitar outra vez