
Dois dias após o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmar que não investirá na instalação de mais câmeras nos uniformes de policiais militares, o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Cappelli, anunciou “diretrizes nacionais” para o uso do equipamento e disse que “ideologizar o debate sobre segurança pública não faz bem ao Brasil”. A pasta informou em nota que formulou uma “proposta de lei sobre o assunto, que está sob análise da Casa Civil” desde o dia 21 de novembro. Inicialmente, a ideia era repassar mais recursos federais para os Estados que adotassem o uso das câmeras, mas o teor do texto não foi divulgado. Em entrevista à Rádio Eldorado, Luciana Zaffalon, diretora-executiva do JUSTA, organização da sociedade civil que analisa dados do financiamento e da gestão do Sistema de Justiça, disse que a posição do governador paulista não se sustenta ao se observar o Orçamento do Estado. Segundo ela, em 2022, as forças policiais consumiram quase 5% do total, cerca de R$ 15 bilhões. Desse montante, disse a especialista, a Polícia Militar ficou com 66%, mas o peso das câmeras no Orçamento foi de apenas 0,7%. Ao anunciar que não investiria mais nas câmeras, Tarcísio argumentou que os recursos gastos com os equipamentos seriam utilizados em outros segmentos da segurança pública. “O debate não é orçamentário”, afirmou Luciana Zaffalon. Estudos mostram que o uso das câmeras teve impacto na redução da violência policial e em geral. See omnystudio.com/listener for privacy information.