
Foi ao amor que aprendi a escrever, Em versos para mulheres que não amei. Houve dias em que por certo o julguei Mas se não o foi, não o era para ser. Foi nesse amor que não me vieste ver, Porque desses versos não leste amiúde, E se dessas letras não viste a virtude, Não foi amor porque não o deixei ser. Nunca disse que te amava, Porque esse amor era o farol, Se das palavras queria um gole E a inspiração me faltava. A inspiração é fruto da esperança, Que se devora enquanto se procura, Acaba-se a busca, acaba a loucura, Acende-se a luz, muda-se a dança. Usei-te, sei que te usei, confesso, Gastei horas de amor contigo, Nas assoalhadas de um abrigo, Onde meu ego vive em excesso.