
Há dois pontos importantes no que diz Paulo Freire sobre tudo isso. Vamos aos mesmos. Primeiro, os oprimidos “hospedam em si” os opressores. Eles caso não se vejam libertados,em lugar de lutar pela libertação , lutam para se tornarem opressores. Esse é o ideal ensinado por bandeiras como empreendedorismo, voluntariado e tantas outras capas que dissimulam a perpetuação da opressão. O aluno que vem de classe baixa sonha que ao se formar possa ele mesmo ser agora patrão. Segundo, a única forma de dá início a esse ciclo é sentir a contradição. Apenas quem é vitima da opressão, será capaz de compreender a necessidade de libertação. Libertação que chega como diria Paulo, na práxis de sua busca. Reconhecer que é fruto de luta pela mesma e não como resultado do que Paulo chama de falsa generosidade do Estado que alimenta muitos programas sociais e assistencialistas em escala municipal e nas demais. Aqui, uma oportunidade se abre para a classe média no Brasil atual. E também para nós professores de universidade federal. A defasagem salarial que hoje acumula-se em quase 50% de perdas da categoria docente federal e de técnicos que tem privado muitos colegas até mesmo de segurança alimentar de si mesmos e de seus filhos; do lazer do final de semana; da viagem não realizada; do sonho adiado e da troca de carro ano a ano que era realidade de muitos servidores federais na década de 80, abre uma oportunidade. Sentir a contradição e os efeitos da opressão em um nível como há muito não se sente.