
Por Gabriel de Santa Maria Madalena. É necessário que a vida sobrenatural, que brota da graça, penetre toda a nossa vida humana, para que ela fique sobrenaturalizada em todas as suas atividades, em todos os seus pormenores, e em todo o seu conjunto. À medida em que a graça cresce e frutifica na nossa alma, ela exerce um influxo cada vez mais amplo e mais profundo; e quando este influxo se estender efetivamente a toda a nossa atividade, orientando-a toda para glória de Deus e unindo-nos totalmente a Ele, por meio da caridade, então teremos chegado à plenitude da vida cristã, à santidade. A graça é um dom totalmente gratuito que Deus nos concedeu pelos méritos infinitos de Cristo. Jesus, morrendo na cruz, nos mereceu a graça, não em uma medida limitada mas numa medida superabundante. Como diz São João, Ele está "cheio de graça... e todos nós participamos da sua plenitude, graça sobre graça". Precisamente por este motivo, todos podemos ser santos. O que não significa, no entanto, que todos sejamos chamados ao mesmo grau e à mesma forma de santidade. Junto dos santos chamados de "grandes", aqueles que tiveram uma grande missão a cumprir e receberam para isso dons especiais de natureza e de graça, encontraremos sempre outros santos mais humildes, mais escondidos, que se santificaram na sombra e no silêncio. A santidade não consiste na grandeza das obras realizadas ou dos dons recebidos, mas no capital de amor e de graça que a alma acumula, correspondendo fielmente aos convites divinos. A uma tal santidade também eu posso aspirar, sem receio algum de temeridade ou ilusão.