
Por Joseph Schrijvers. Jesus experimenta e purifica as almas de mil maneiras. As contrariedades, as incompreensões, os escrúpulos, a aridez interior, os transtornos nos negócios, os insucessos, a ruína da fortuna, tudo lhe serve de instrumento para aperfeiçoar as almas. Algumas compreendem este amoroso proceder divino e sujeitam-se docilmente. Outras estranham, murmuram e esquivam-se à ação de Deus. É isto o que faz a distinção entre as almas heroicas e as vulgares. A provação é a mesma; a ocasião que se apresenta, também; só a disposição interior é que é diferente. Umas têm a boa vontade de permanecer em Deus e abandonam-se serenamente à sua ação, aceitando o que o Mestre lhes manda, seja doce ou amargo. Às outras, falta-lhes esta docilidade absoluta e universal. Dão-se com reservas e encolhem-se tão logo a Divina Vontade lhes contraria os desejos ou mortifica o humor. Umas têm os olhos fixos em Deus, causa primeira de todas as coisas, regulador de todos os acontecimentos, soberano santificador das almas. As outras só enxergam as causas secundárias e culpam as criaturas pelos males que as ferem.