
Por Diádoco de Foticéia. Aqueles que combatem precisam manter sempre o espírito fora das agitações perturbadoras para discernir os pensamentos que surgem: guardar os bons, vindos de Deus, no tesouro da memória; e expulsar os maus e demoníacos. O mar, quando está tranqüilo, deixa os pescadores verem até o fundo, de sorte que quase nenhum peixe lhes escape; mas quando o mar está agitado pelos ventos, ele fica turvo, e esconde aquilo que se via tão facilmente no tempo sereno. Assim, toda a perícia dos pescadores se vê frustrada. No entanto, somente o Espírito Santo tem o poder de purificar a mente. Se Ele não entrar para despojar o ladrão, nossa mente nunca será libertada. É necessário, portanto, alegrar em tudo o Espírito Santo, pela paz da alma, mantendo a luz da ciência sempre acesa em nós. Quando ela não pára de brilhar no íntimo da mente, conhecem-se os ataques cruéis e tenebrosos dos demônios, o que mais ainda os enfraquece, porque eles ficam expostos por aquela santa e gloriosa luz. Por esta razão diz o Apóstolo: Não apagueis o Espírito, isto é, não causeis tristeza ao Espírito Santo, por maldades e maus pensamentos, para que não aconteça que ele deixe de vos proteger com seu esplendor. Não que o eterno e vivificante Espírito Santo possa extinguir-se, mas é a sua tristeza, quer dizer, seu afastamento que deixa a mente escura sem a luz do conhecimento e envolta em trevas. Quando estamos saudáveis e queremos degustar coisas refinadas, nosso paladar sabe discernir aquilo que é bom daquilo que é ruim. Da mesma maneira, nossa mente, começando a adquirir a saúde perfeita e a mover-se sem preocupações, saberá discernir os espíritos. Ela poderá sentir abundantemente a consolação divina, e conservar, pela ação da caridade, a lembrança do gosto bom, para se deliciar em coisas ainda melhores. É isso o que ensina o Apóstolo, quando diz: que vossa caridade cresça sempre mais na ciência e na compreensão, para discernirdes o que é ainda melhor.