
Por Gabriel de Santa Maria Madalena. A doutrina de São João da Cruz e de Santa Teresa de Jesus nos oferece um método de meditação particularmente capaz de conduzir as almas à intimidade com Deus e para as preparar para a contemplação. São João da Cruz nos indica o aspecto característico desse método. Ele diz: "A finalidade da meditação e do discurso, nas coisas de Deus, é conseguir algum conhecimento e amor de Deus". Vemos que o acento não é posto sobre o trabalho da inteligência. Não se trata de conhecimento especulativo ou estudo sobre as verdades da fé. Trata-se, ao contrário, de um conhecimento amoroso. Esse conhecimento amoroso se apóia em um pensamento afetuoso, penetrado de amor, que brota de um coração amante. Quem ama uma pessoa, consegue conhecê-la muito melhor e com mais facilidade, do que quem a estuda sem amor. Santa Teresa de Jesus fala de modo semelhante. Ela afirma que a oração consiste, não em pensar muito, mas em amar muito. O pensamento é sempre subordinado ao amor. Evidentemente, na meditação também se pensa, mas não para termos conhecimentos e sim para nos colocar em um estado de amar mais o Senhor. Por isso, o trabalho da mente deverá servir sobretudo para nos darmos conta do amor de Deus por nós, refletindo sobre as várias manifestações de seu amor. Pode bem se dizer que não há mistério divino ou verdade de fé, que não nos fale da excessiva caridade do Senhor. Quanto mais estivermos convencidos deste amor, mais adquiriremos um conhecimento amoroso de Deus. E ao mesmo tempo, nos sentiremos cada vez mais impulsionados a amar Aquele que tanto nos amou, Aquele que nos amou primeiro. Assim, a meditação, ou seja, o discurso da inteligência, nos introduzirá espontaneamente no exercício do amor. Portanto, na nossa oração, não daremos o lugar principal para as reflexões e raciocínios, mas nos serviremos dessas coisas para despertar em nós o amor, para praticarmos atos de amor.