
Por São João Eudes. As maravilhosas e inconcebíveis graças, com as quais nosso Salvador encheu completamente sua Bem-Aventurada Mãe, tornam evidente o seu amor sem limites nem medidas por Ela. Ela constitui o primeiro e o mais digno alvo de amor de Jesus, depois de seu Pai, posto que a ama infinitamente mais que a todos os anjos, santos e criaturas juntos. Os extraordinários favores com que a honrou e os maravilhosos privilégios com que a distinguiu de todas as criaturas são provas dessa verdade. Só ela alimentou e deu a vida, para aquele que é a Vida eterna, para aquele que dá a vida a todo vivente. Somente ela, em companhia de São José, viveu continuamente por trinta e quatro anos, com o adorável Salvador. Que coisa admirável! O divino Redentor veio à terra para salvar os homens e, no entanto, não lhes concedeu mais do que três anos e três meses de sua vida para os instruir. Mas empregou mais de trinta anos com sua santa Mãe, para santificá-la mais e mais. Que torrentes de graças e bênçãos ele não derramou incessantemente durante aquele tempo na alma da bem-aventurada Mãe, que tão bem disposta estava para recebê-las? Com que incêndios e celestiais labaredas o divino Coração de Jesus, fornalha de amor ardentíssimo, não abrasou o coração virginal de sua digníssima Mãe? Recordemos a união estreitíssima entre os dois, quando ela o levou em suas entranhas, e quando o alimentava com seu sagrado leite; quando o levava em seus braços e quando o apertava em seu peito; quando viveu em íntima familiaridade com Ele, bebendo, comendo e rezando a Deus com Ele; e quando escutava suas divinas palavras, palavras essas que, como brasas acesas, inflamavam mais e mais o santíssimo coração da Mãe, no fogo sagrado do divino amor.