
Por Santo Agostinho. Diz o rei Davi, no Salmo 50. Eu admito todo o meu pecado. Se eu o admito, perdoa-me Senhor! Mesmo procurando viver bem, de jeito nenhum tenhamos a presunção de estarmos sem pecado. Valorizemos a possibilidade de pedir perdão. Os homens sem esperança, quanto menos prestam atenção aos próprios pecados, mais espreitam os pecados alheios com curiosidade. Procuram não o que corrigir, mas o que morder. Não podendo se desculpar, estão prontos para acusar. Não foi este o exemplo de Davi. Ao contrário, ele disse: Eu admito toda a minha iniquidade, o meu pecado está sempre diante de mim. Davi não estava atento aos pecados alheios. Ele caía em si mesmo, não se desculpava, entrava dentro do próprio coração e descia cada vez mais profundamente. Não se poupava, e por isso podia pedir perdão com confiança. Queres reconciliar-te com Deus? Presta atenção ao modo como tu procedes contigo mesmo, para que Deus te seja favorável. O Salmo diz: o meu sacrifício é minha alma penitente, Deus não despreza o coração contrito e humilhado. Ele não quer sacrifícios rituais. Tu não precisas comprar animais, não precisas ir aos mercados, não precisas ir a regiões longínquas em busca de perfumes. Tu já tens o que oferecer. Procura em teu coração aquilo de que Deus gosta. O coração deve ser esmagado. Não precisas ter medo de morrer se o teu coração for esmagado. Porque no mesmo salmo podemos ler: criai em mim um coração que seja puro. Sim, para que seja criado o coração puro, esmague-se o impuro. Sintamos rejeição por nós mesmos quando pecamos, porque os pecados causam repugnância a Deus. Já que não estamos sem pecado, ao menos nisto sejamos semelhantes a Deus: o que lhe desagrada, desagrade também a nós. Em parte, tu te unes à vontade de Deus quando rejeitas em ti mesmo aquilo que teu Criador detesta.