
Por Adolphe Tanquerey. Para começar, lembremo-nos de que o sofrimento não é um mal, mas, ao contrário, pode tornar-se, quando bem aceito, a fonte ou a ocasião dos maiores bens. No fundo, não há senão um único mal: o mal moral, ou seja, o pecado, que ofende a infinita majestade de Deus. E mesmo esse mal, uma vez que dele nos arrependemos, pode tornar-se ocasião de grandes bens. Às vezes, sofremos pela privação de certos bens espirituais que muito desejamos e pela privação de certas práticas de piedade, que se tornam impossíveis durante algum tempo, devido a doenças ou outros obstáculos. Lembremo-nos, então, do que Deus disse um dia, interiormente, a um santo religioso, o Padre Balthazar Alvarez: “Minha glória não se encontra nesta ou naquela obra, mas no cumprimento da minha vontade. Ora, quem pode saber melhor do que eu o que convém a minha glória?” Isso vale para os melhores exercícios, como a Santa Missa, a comunhão, a visita ao Santíssimo Sacramento. Santo Afonso de Ligório nos dá, a esse respeito, um magnífico exemplo: por causa de seus êxtases diante do Santíssimo Sacramento, seu superior determinou que ele não saísse de sua cela. Ele obedeceu, mas às vezes, cedendo a uma atração irresistível, arrastava-se até a escada que conduzia à capela; então, lembrando-se da proibição, voltava para sua cela cheio de confusão, dizendo: “É verdade, ó bom Jesus, mais vale afastar-se de vós por obediência,l do que estar a vossos pés por desobediência!” Ele também sofria por não poder celebrar a Santa Missa, que lhe proporcionara outrora tantas consolações; mas aceitava generosamente esse sacrifício: ”Vós não quereis mais, ó Jesus, que eu celebre a Missa; 'fiat', que vossa adorável vontade seja feita".