
Por Santo Afonso Maria de Ligório. Jesus nos ensina a pedir a graça de cumprir a vontade de Deus aqui na terra, como os anjos a cumprem no céu: "Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu". A coisa mais preciosa que possuímos é a nossa vontade própria. Entregá-la a Deus é a coisa mais agradável que podemos oferecer ao Senhor. É o que Deus pede, no livro da Sabedoria: "Meu filho, dá-me o teu coração", ou seja, a tua vontade. Santo Agostinho diz: "A coisa mais agradável que podemos oferecer a Deus é dizer-lhe sinceramente: tomai posse de nós, a vós consagramos toda a nossa vontade. Dai-nos conhecer o que de nós quereis: estamos prontos para fazer tudo". Quando consagramos a Deus a nossa vontade, então tudo entregamos. Quem lhe entrega seus bens dando esmolas, quem lhe dá seu sangue pelas disciplinas, quem lhe entrega seu sustento através do jejum, dá a ele apenas uma parte do que é seu. Mas quem a Deus entrega sua vontade, lhe dá tudo o que possui, e pode dizer-lhe: "Senhor, eu sou pobre, mas vos dou tudo o que tenho para dar. Entregando-vos a minha vontade, nada mais me fica de que eu possa dispor". Mas para que esse sacrifício seja completo, deve ter duas propriedades: deve ser inteiro e, além disso, constante. Há pessoas que dão a Deus a sua vontade, mas com certa restrição. Tal oferta não agrada muito a Nosso Senhor. Outros lhe consagram sua vontade para depois retomá-la: estes se expõem ao perigo de serem abandonados por Deus. Para afastar de nós essa infelicidade, todos os nossos esforços, todas as nossas aspirações e orações, devem visar à perserverança, para que sempre queiramos o que Deus quer. Renovemos cada dia a consagração de todo o nosso ser a Deus, e guardemo-nos de desejar qualquer coisa contrária aos desejos dele. Desta maneira, nos livraremos de toda a paixão, de todo o desejo, de todo o temor, e de toda afeição desregrada. Um único ato de adequação perfeita com a vontade de Deus basta para nos elevar à santidade.