
Nesta semana (terça-feira, dia 24), Chico Carvalho comentou no programa “Estação Cultura” sobre uma qualidade de escritor que prefere permanecer à sombra das histórias. São escritores que não são nada enxeridos, escolhem não interferir no destino das personagens que inventam e preservam, assim, as suas críticas pessoais longe das páginas. Sobra para nós, leitores, o espaço de preencher essa lacuna. Selva Almada, a autora deste pequeno e precioso livro que se chama “O vento que arrasa” nos coloca diante de um interessante problema: quem tem razão? Há algum vilão ou herói em um encontro aparentemente banal entre quatro figuras em um contexto nada dramático? O enredo é basicamente esse: um carro enguiça no meio de uma estrada no interior descampado da Argentina. É verão, e a temperatura é escaldante. Dentro do veículo está o reverendo Pearson acompanhado de sua filha, Leni. Os dois cruzam o país parando de vila em vila com a ideia de evangelizar os diferentes povoados. Como por intermediação divina, a ajuda aparece, e pai e filha vão parar na oficina do mecânico Gringo Bauer, que tem como ajudante um adolescente que atende pelo apelido de Tapioca.