
Na coluna desta semana, Leão Serva acompanha os últimos eventos envolvendo a grave denúncia na Terra Indígena Yanomami, que desencadeou uma série de questionamentos na Polícia Federal: o relato é o de que uma menina Yanomâmi, de 12 anos, morreu após ser estuprada por garimpeiros que exploram ilegalmente a região. Segundo Serva, o caso que ganhou repercussão nacional e tem mobilizado as redes sociais com a hashtag: "CADÊ OS YANOMAMI", após os agentes públicos declararem que a comunidade foi encontrada queimada e não havia ninguém, demonstra que o Estado brasileiro não aprende com os fatos e pouco conhece sobre as tradições e os costumes dos povos indígenas. "O que é triste na história, é que o Estado brasileiro, evidentemente não indígena e com grande dose de racismo, esquece os fatos do passado", afirma Serva ao relembrar massacre de Haximu, ocorrido em agosto 1993 na região montanhosa de fronteira entre Brasil e Venezuela. O caso foi o único crime na história do Brasil reconhecido e condenado como genocídio. "Os indígenas Yanomani, diante de uma morte trágica, têm a cultura de queimar a aldeia e fugir para a selva levando as cinzas da pessoa assassinada", explica o jornalista. Ainda de acordo com os estudos do antropólogo francês Bruce Albert, que trabalha com os Yanomami do Brasil desde 1975, nos costumes desse povo os corpos devem ser cremados e chorados coletivamente por suas comunidades e as cinzas dos seus ossos conservadas para serem sepultadas ao longo de rituais coletivos de aliança da aldeia. O jornalista Leão Serva, diretor de Jornalismo da TV Cultura, fala sobre questões relacionadas aos povos indígenas todas as quintas-feiras, no programa Estação Cultura.