
Na coluna desta quarta-feira (5), o dramaturgo Atílio Bari destaca o espetáculo Amadeo, em cartaz no Tucarena, o teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A obra conta a história do francês Vincent Humbert, que aos 20 anos de idade sofreu um acidente automobilístico e ficou cego, mudo e tetraplégico. Depois de nove meses em coma, o jovem passou a se comunicar usando o polegar da mão. Mesmo com imensa dificuldade para construir frases, Humbert bolou dessa forma um comunicado ao corpo médico do hospital onde estava internado. Ele implorava para morrer. Depois de ter o pedido negado diversas vezes – afinal, a eutanásia é até hoje proibida por lei na França -, a mãe da vítima sequelada tomou uma atitude: Marie Humbert colocou calmantes e sedativos no soro do filho, levando o rapaz à morte e cessando todo o sofrimento que o acometera. Para o dramaturgo, “a peça em cartaz é contada de uma maneira que nos leva a participar do drama do rapaz, da namorada, dos amigos, e a nos identificarmos com cada um deles, em especial com aquela mãe que acompanha todo o martírio, a inutilidade dos tratamentos e a inexistência de uma perspectiva”. Atílio Bari é idealizador e apresentador (ao lado de Chris Maksud) do programa Persona, da TV Cultura, e também participa do "Estação Cultura", todas as quartas-feiras. A coluna aborda espetáculos de teatro, livros, outras formas de dramaturgia e assuntos da atualidade, que muitas vezes se aproximam da ficção. O "Estação Cultura", com apresentação de Teca Lima, vai ao ar pela Rádio Cultura FM 103.3 e 77.9 FM estendida, de segunda a sexta-feira, às 10h. O programa é transmitido também na Rádio Cultura Brasil AM 1200 e no aplicativo Cultura Digital.