
Bem vindos ao Evangelho para Agora, eu sou o Bruno Morais e serei seu anfitrião nessa jornada que irá apresentar as verdades do Evangelho de Jesus Cristo diante dos problemas e situações dos dias de hoje. Para quem não é familiarizado com a vida no campo, alguns conceitos são difíceis de entender até quando bem explicados. São particularidades que talvez só entenda quem convive nos sítios e fazendas. Certamente isso parecerá estranho, mas eu, por exemplo, tenho boas lembranças do cheiro de estrume. Lembro do curral do sítio do meu pai e das suas vaquinhas prontas para comer o capim recém cortado para elas. Foi lá que também aprendi a não ter medo do escuro, e se disser que foi por causa de leite de vaca consigo até prever a cara de espanto de cada um de vocês. Levantávamos na alta madrugada, quando ainda estava escuro, para poder chegar a tempo da ordenha das vacas e tomar uma boa caneca de leite quentinho direto da fonte. Naquele tempo só uma grande delícia como essa pra me fazer vencer o caminho escuro que levava até o cural, iluminado apenas pelas estrelas. Lá no sítio as oportunidades pedagógicas eram tremendas, muitas com efeitos práticos imediatos na sua própria vida. Claro que meu pai e minha mãe me disseram para não brincar com abelhas, contudo, temo que uma das vezes que tive de correr e até mesmo nadar tão rápido em minha vida foi quando descumpri essa lição. Eu e meus irmãos aprendemos sobre animais, sobre frutas e sobre o fascinante ciclo que faz tirar da terra alimentos. Temo que nem todo livro de biologia consiga gravar essas lições tão bem quando uma visita a um sítio ou fazenda. Outra coisa no mínimo curiosa era a integração com os vizinhos, quando alguém precisa de ajuda para construir algo, era comum o chamado mutirão. Quando a pessoa precisava construir um novo cercado para os animais, ou reformar parte da casa, os vizinhos e amigos dessa pessoa eram convidados para um mutirão. Todos se reuniam para trabalhar nessa obra do vizinho ou amigo, restando ao que convidou apenas a obrigação de fornecer uma grande refeição para os envolvidos. Como falei em cercado, quero deixar claro que nem sempre as terras eram divididas por cercados. Muitas vezes apenas alguns marcos eram usados para fazer a distinção do terreno das pessoas. Esse marco poderia ser a margem de um rio, o cume de uma montanha, ou até mesmo uma estaca de madeira fincada no lugar. Essa delimitação era importante porque a terra, para quem vive no campo, é dos bens mais preciosos. Pois é dela de onde se extrai o sustento e, não é raro, pertence a família há gerações, possuindo portanto o aspecto afetivo. Para manter a harmonia nesse relacionamento tão íntimo entre os vizinhos, não seria outro o motivo para o nosso quarto provérbio dos sábios...