“FLOR PROLETÁRIA” Se eu juntar o suor do povo para irrigar uma flor qualquer que flor iria brotar ? flor com suor popular do ofegante pique diário que cor iria pintar ? a terra seca e ávida o suor quente e saciar a sede da terra o grotão prestes a espocar iria surgir o ramo de que flor a germinar ? essa flor alimentada do sangue-dor dos sofredores, qual seria seu perfume ? nela viria genes de ânsia, raiva, esperança, escravidão viria um carma de sofreguidão de tantos anos de negras, tristes, cansativas, jornadas e produções foram abonos hediondos ordenados aviltados indicativos de aumentos manipulados e alterados planos econômicos salvadores vindouros, mortos no nascedouro jornadas mal realizadas pelo excesso de ócio ou de exploração como esta flor poderia nascer ? monstruosa quero crer... sextas-feiras crepusculares eram santas a aliviar a carga dos hereditários componentes originários desta flor costela do suor proletário ... PAULO CESAR GOMES