
Carta-poema de Ricardo Domeneck, em que o escritor elabora sua paixão pela família Tarkóvski, à luz da memória de sua própria família. "Compramos com poemas e filmes nossa memorabília, a nossa e de nossa família, nas lojas de lembranças da História, essa madame retroativa, inimiga das notas-de-rodapé? Eu – aqui, vivo – obceco-me por familiares mortos nem sequer meus, mas sem ter os seus dons e suas dádivas, hesito, não sei, duvido que terei a força para descrever e lançar no colo da madame dos efeitos retroativos a adoração expectante que eu anônimo sentia quando minha própria mãe anônima emergia do quarto em sua camisola – azul-marinho, pontilhada de branco –"