
" (...) Mais um Dezembro instaurado no calendário, convenção social que orienta vidas e atropela importâncias... Aqui na Serra Gaúcha, uma região onde o Natal azeita ainda mais as engrenagens do turismo, ao menor descuido, os pensantes, torcemos o nariz para a época, de tão enfarados que estamos do bombardeio maciço e massivo - externo, profano e instagramável - do que antes era impulso interno, sagrado... Há dias busco o mínimo de inspiração para fazer algum pequeno arranjo em casa, que suscite a potência por vezes esquecida de uma época, similar a de agora, plena de incoerências e contrastes. Ainda hoje relia as cartas trocadas entre Einstein e Freud, sobre a Guerra... Olhares que se complementam... Mesmo com abordagens distintas, uma aparentemente mais idealizada e romantizada que outra, ambos sonhando com o dia em que vingue o melhor do ser humano. Entre os incômodos que me habitam e de certo modo me acalentam: constatar diariamente que a Paz não necessariamente exclui o conflito, mas o apresenta (torna visível) possibilitando a cada um de nós a escolha de querer ou não, a seu modo, ultrapassá-lo. Estou aqui me policiando para não cair em devaneios acentuados, olhar mais tempo do que suportaria para o abismo humano, tampouco dar margem a incompreensão dos que habituados estão a tudo medir como se só uma régua existisse, a sua. Mas é fundamental assinalar que uma forma eficaz de promovermos ajustes de rota necessários é justo não invisibilizarmos o caminho percorrido. Claro, com aconselháveis generosidade, cuidado e amor próprio para colher do trajeto experiências, para além de dores e mágoas... A potência humana é grande, surpreende tanto na ascensão quanto na derrocada, saibamos elege-la! Deixo aqui um texto que escrevi há mais de uma década... É de uma época que guardo na memória com muito carinho: preparava a casa nova, em meio as montanhas de Minas Gerais, para receber familiares vindo do Sul para as festas de Natal e Ano Novo. Talvez ele diga mais para vocês do que eu consiga hoje dizer... Penso que somos nós quem trazemos para o aqui e agora a Luz do Natal, capaz de converter viradas de calendário em um novo ano. Que Ela nasça em todos os corações e ilumine pensamentos, palavras e atos. Que transcenda individualidades e se perceba como fluxo contínuo de uma inspiradora coletividade: a humanidade em marcha! (...)" Ana Rita de Calazans Perine orior.com.br/ana-rita