
#### O TRABALHO #### CONCEITO DE TRABALHO O trabalho, de uma maneira geral, encontra-se intrinsecamente relacionado com a satisfação das necessidades dos seres humanos – alimentar-se, proteger-se do frio e do calor, ter o que calçar, etc. Este fato coloca os homens numa relação de dependência com a natureza, pois é no mundo natural que estão os elementos que devem ser utilizados/modificados. Deste modo, o trabalho implica necessariamente um custo humano, de esforço para sua realização. Trabalhadores americanos em hora de almoço (Foto: Wikimedia Commons) Se detivermos nossa atenção por um momento, perceberemos que, praticamente, tudo à nossa volta existe por conta do trabalho humano. Os processos de produção dos objetos que nos cercam são altamente complexos e movimentam relações diversas entre os indivíduos. Os modos como o trabalho se organizou ao longo da História também foram bastante variados de sociedade para sociedade. SOCIOLOGIA E TRABALHO Desde o início de seu desenvolvimento, ainda em meados do século XIX, a Sociologia se dedica a analisar o trabalho como elemento central das sociedades modernas. Para o sociólogo francês Émile Durkheim, o trabalho modificou completamente as sociedades industrializadas, de complexa divisão social do trabalho. Enquanto Karl Marx considerava que a divisão do trabalho gerava conflito entre indivíduos e classes sociais, Durkheim – em sua obra Da Divisão do trabalho social – explicita de que maneira o processo de especialização do trabalho gerado pela industrialização engendrou uma forma específica de união entre os indivíduos. Ao invés de desarmonia, o trabalho nas sociedades capitalistas industrializadas originou a solidariedade orgânica – nos locais de trabalho, em que as pessoas passam a maior parte de seu tempo, homens e mulheres (que não necessariamente compartilham os mesmos sistemas de valores e crenças) aprenderiam a conviver uns com os outros. Este tipo se oporia à solidariedade mecânica, típica de sociedades tradicionais, em que o fator que une os indivíduos não são as relações de trabalho, mas o fato de terem em comum tradições, traços culturais, visões de mundo, etc. TRABALHO EM SOCIEDADES TRIBAIS Para o cientista social norte-americano Marshall Sahlins, nas sociedades tribais, embora muito distintas entre si, o trabalho geralmente não tem a mesma concepção que vigora nas sociedades industrializadas. Naquelas o trabalho está integrado a outras dimensões da sociabilidade – festas, ritos, artes, mitos, etc. –, não representando, assim, um “mundo” à parte. O trabalho está em tudo e, praticamente, todos trabalham. Sahlins propôs que tais sociedades fossem conhecidas como “sociedades de abundância” ou “sociedades do lazer”, pelo fato de que nelas a satisfação de suas necessidades básicas (sociais e materiais) se darem plenamente, o que permitiria que seus membros usufruíssem seu tempo em atividades não relacionadas à produção. TRABALHO E ESCRAVIDÃO A atividade do trabalho sempre envolve um nível mais ou menos elevado de esforço (e sofrimento, cansaço). Este aspecto foi decisivo para a condenação, na Grécia Antiga, por exemplo, do trabalho manual, visto como uma atividade extenuante, humilhante e torturante. Naquela sociedade, era sobretudo a mão de obra escrava quem trabalhava para o sustento do restante da população. A relação entre trabalho e sofrimento, presente até mesmo em trechos da Bíblia, contribuiu para sua conotação social “negativa”. Isto representou um “problema” para o sistema capitalista que, ao abandonar a escravidão (caso do Brasil), precisou modificar a imagem pejorativa do trabalho, tornando-a dignificante. O MERCADO DE TRABALHO O mercado de trabalho é uma expressão utilizada pra se referir as formas de trabalho que possam existir, sendo remunerados de alguma forma, seja trabalho manual ou intelectual. As pessoas vendem sua força de trabalho por um salário, que pode ser em dinheiro, moradia, bonificação, ou outra forma de recompensa pelo trabalho exercido. Dentro do mercado de trabalho existem diferentes relações, como a oferta e a demanda, que se caracteriza na parcela de trabalho oferecido, ou seja, a quantidade de vagas de emprego, e a parcela de trabalhadores disponíveis para vender sua força de trabalho para essas vagas, o que muitas vezes é maior. O mercado de trabalho é dividido em setores: Setor Primário: onde estão as relações de trabalho que lidam diretamente com a matéria-prima, como a agricultura, a pecuária e a extração mineral e vegetal; Setor Secundário: onde estão as relações de trabalho que lidam com a modificação da matéria-prima, construindo objetos utilizáveis, como as indústrias e a construção civil; Setor Terciário: onde estão as relações de trabalho interpessoais, ou seja, que há correspondência entre as pessoas, a prestação de serviços, como o ramo de vendas, bancos, hospitais, escolas, ou seja, quando a forma de trabalho lida com pessoas e não com os objetos como principal foco de trabalho. É esse setor que se encontram principalmente a força de trabalho intelectual. Mesmo com a divisão de trabalhos nos três setores, há uma inter-relação entre elas, ou seja, a matéria prima que é extraída no setor primário é modificada e se transforma em um objeto no setor secundário e posteriormente é comercializada no setor terciário. Os trabalhadores são classificados como População Economicamente Ativa (PEA), e se distribuem por esses setores trabalhistas, e classificam a economia de um país a partir do setor que possui o maior número de trabalhadores. Por exemplo, os países mais desenvolvidos economicamente tem uma tendência a possuírem a maior parte de sua população economicamente ativa no setor terciário, já os países com baixo desenvolvimento econômico (subdesenvolvidos) possuem a maior parte de sua população economicamente ativa no setor primário, os países em desenvolvimento econômico (países emergentes) possuem a maior parcela de sua população economicamente ativa no setor secundário, ou seja, há uma transição dos setores em relação a economia do país. No mercado de trabalho existem duas classificações de trabalho: o trabalho formal, onde há registro na carteira de trabalho, contribuições à previdência social, legalidades trabalhistas e o trabalho informal, que não há registro, não há pagamento da contribuição previdenciária, e tem crescido muito nos últimos tempos. O crescimento do trabalho informal tem prejudicado a previdência pública, pois não há entrada das contribuições para que haja o pagamento das aposentadorias, criando um deficit econômico nas contas do governo. Um dos principais fatores que levam ao aumento significativo do trabalho informal são as crises econômicas, que implicam muitas vezes no trabalho autônomo da população. O desemprego é outra característica do mercado de trabalho, quando a quantidade de vagas oferecidas é menor que o número de pessoas para exercerem o trabalho. O mesmo pode ocorrer de outras formas, como o desemprego conjuntural e o desemprego estrutural. O desemprego conjuntural é o associado as crises econômicas, onde há baixo crescimento econômico, tendo quedas na produção, nas vendas, ou até mesmo devido problemas naturais como secas e geadas, interferindo na produção do setor primário, causando demissões da população que trabalha nesses ramos. Outra forma de desemprego é o estrutural, ou também chamado de tecnológico, que ocorre em consequência da substituição da mão de obra por máquinas, a entrada de robôs, tratores, computadores, são fatores que causam a dispensa dos trabalhadores que são substituídos por máquinas, que não necessitam de remuneração econômica por sua produção. O mercado de trabalho passou por evoluções, principalmente no que diz a entrada das tecnologias, extinguindo algumas profissões, causando o desemprego estrutural. Por outro lado, há criações de novas profissões, que necessitam dessas tecnologias, onde há relações diretas com os meios tecnológicos, por exemplo o profissional de Tecnologia da Informação (TI), que tem crescido muito nos últimos tempos. A ampliação do uso de máquinas principalmente nas indústrias, gera uma diminuição da população que trabalha no setor secundário, porém há um aumento do setor terciário. Essa tecnologia nos setores trabalhistas aumentam a necessidade de maiores especializações de ensino, maior qualificação das forças de trabalho, onde vão exercer maiores e mais complexas funções. A participação das mulheres no mercado de trabalho é outro fator que tem aumentado a modificação desse campo. A entrada da mulher no mercado de trabalho é algo que tem crescido gradativamente, pois ainda há preconceito em muitas áreas para a entrada das mulheres, o que implica em maior profissionalização das mulheres em relação aos homens, conseguindo ampliar sua presença nesse mercado. Porém ainda há desigualdade na remuneração da força de trabalho das mulheres em relação aos homens, mesmo exercendo as mesmas funções, o homem recebe mais do que a mulher, fato que deve ser rebatido, e a igualdade salarial prevalecer.