
Os brutais efeitos socioeconômicos da Covid-19 colocaram na ordem do dia uma proposta há muito discutida: a criação de programas de renda básica universal capazes de assegurar uma renda mínima a todas as pessoas, sem nenhuma condicionalidade. A ideia já vinha ganhando adeptos como resposta à substituição crescente de mão de obra humana por máquinas inteligentes, sobretudo em funções de menor qualificação técnica. A pandemia deu tons dramáticos à percepção de que uma rede de proteção social ampla deveria ser estendida às populações em seu conjunto, para proteger os mais vulneráveis. É hora, portanto, de avaliar os prós e os contras da criação de um programa dessa natureza no Brasil, os seus custos fiscais e benefícios na redução da pobreza e da desigualdade, comparando-os com outros usos possíveis dos recursos públicos, em particular o fortalecimento dos já existentes programas de transferência de renda condicionada, como o Bolsa Família. Conversamos com Monica de Bolle (economista e professora da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins) e Marcelo Medeiros (economista e especialista em desigualdades sociais).