
O Movimento ao Socialismo (MAS) voltou ao poder na Bolívia, com a vitória em 1° turno de Luiz Arce nas eleições de 18 de outubro último. Conquistou também a maioria no Congresso. Três semanas depois, regressou ao país o principal líder do partido, Evo Morales, presidente da Bolívia de 2006 a 2019, após um ano de exílio. Em princípio, encerrou-se assim um período de turbulência política que durou mais de três anos, desde a recusa de Evo em aceitar o resultado do plebiscito de fevereiro de 2016, que vedou a sua quarta candidatura sucessiva à presidência, até a sua renúncia forçada ao cargo em novembro de 2019, em meio a protestos populares por uma alegada fraude eleitoral. Desse processo, sairá fortalecida a democracia na Bolívia? Terão o MAS e as oposições aprendido as lições necessárias para tanto? Quais os efeitos da vitória da esquerda boliviana para a América do Sul em geral e para as relações entre Bolívia e Brasil em particular? Para discutir essas questões, conversamos com o historiador e jornalista Carlos Mesa, ex-presidente da Bolívia entre 2003 e 2005, principal líder da oposição ao MAS nas duas últimas eleições presidenciais, um democrata que considerou o resultado de novembro último "claro e contundente". Convidado: CARLOS D. DE MESA GISBERT Político, jornalista e historiador, foi presidente do Congresso boliviano, vice-presidente e presidente da Bolívia (2002-2005). Em 2019 e 2020, foi candidato à Presidência da Bolívia. É presidente da aliança política Comunidad Ciudadana. Exerceu o jornalismo por mais de 25 anos, fundou e dirigiu o Arquivo Nacional de Cinema e atuou como professor em universidades da Bolívia e da Espanha. Graduado em Letras, é autor de livros e documentários sobre a história boliviana. Ganhou o prêmio Rei da Espanha de Jornalismo.