
O Brasil gastou quase 9% do PIB com juros da dívida pública nos últimos 12 meses, mais de R$ 1,1 trilhão. O déficit primário, que domina o debate, ficou em cerca de 0,6% do PIB. Por que quase ninguém fala da conta maior? Neste vídeo eu comento o artigo “Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos”, do economista André Lara Resende, um dos pais do Plano Real. Ele propõe um novo regime em que metas fiscais e de juros são definidas juntas, para quatro a cinco anos, com a Selic se aproximando do crescimento nominal da economia. As reservas internacionais seriam usadas para segurar o câmbio. A reação do mercado foi imediata, e é sobre ela que eu quero conversar. Na minha leitura, parte do mercado financeiro funciona como um poder de veto sobre o Banco Central. Basta uma ameaça de desancoragem das expectativas para qualquer ideia nova ser descartada antes de ser discutida. O ponto central é que a inflação é, em grande parte, um fenômeno de expectativas. Se é assim, o mercado não é só um observador: ele ajuda a formar essas expectativas. Ele pode apostar no Brasil e contribuir para uma transição a uma política monetária menos dependente de juros reais entre os mais altos do mundo. Este vídeo é opinativo e educativo, não é recomendação de investimento. #juros #Selic #BancoCentral #LaraResende #economia #dívidapública #inflação