
Apesar do crescente debate sobre o uso terapêutico da cannabis, o tema ainda não ocupa um lugar central nos currículos dos cursos de saúde e com a psicologia não é diferente.Nossa entrevista desta semana, com o psicólogo Fábio José Orsini Lopes, professor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM-PR), que também atua como conselheiro do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas do Paraná, aborda a situação atual do ensino sobre a cannabis medicinal nas universidades brasileiras.O psicólogo explica que os alunos de psicologia saem das universidades com uma compreensão limitada sobre como a cannabis pode ser utilizada no tratamento de doenças psicológicas, como ansiedade, depressão e transtornos do sono. Isso ocorre, segundo Lopes, devido à falta de ênfase no ensino de terapias alternativas dentro da formação tradicional, que ainda prioriza métodos convencionais.De acordo com ele, as universidades precisam de um esforço coletivo para incluir mais estudos e debates sobre o tema, o que poderia resultar em uma melhor capacitação dos profissionais para lidar com pacientes que fazem uso de cannabis no tratamento de suas condições. O caminho para uma formação mais completa e alinhada com as demandas contemporâneas da saúde mental ainda parece longo, mas a inclusão da cannabis medicinal no currículo de psicologia é um passo necessário para garantir que os psicólogos possam oferecer um tratamento realmente eficaz e atualizado.