
Existe uma elegância pouco praticada: falar bem de alguém quando essa pessoa não está por perto para ouvir. É fácil elogiar diante de quem recebe o elogio. Difícil é reconhecer uma qualidade quando não haverá agradecimento, retorno ou aplauso. Talvez seja justamente aí que esteja o verdadeiro valor. Quando alguém ausente vira assunto, podemos escolher o caminho mais fácil — a crítica, a ironia, o julgamento. Mas também podemos lembrar de um gesto de generosidade, de uma atitude correta, de uma qualidade que merece ser reconhecida. Não se trata de ignorar erros ou fingir que tudo é perfeito. Trata-se de não transformar a vida de alguém em entretenimento. Porque existe uma diferença enorme entre falar sobre uma pessoa e falar da pessoa. E talvez um dos sinais mais bonitos de caráter seja este: alguém sair da sala e, ainda assim, continuar sendo tratado com respeito. Que a nossa ausência nunca seja motivo para diminuírem a nossa história — e que a ausência dos outros também nunca seja licença para diminuí-los.