
O jesuíta espanhol Benjamín González Buelta, em um de seus escritos, nos lembra que somos inquilinos do tempo e do espaço. E ele tem razão: somos, de fato, inquilinos do tempo, do espaço… e também da própria vida. Inquilino, segundo o dicionário, é aquele que reside em um imóvel que não lhe pertence e que, ao término do contrato, devolve a propriedade ao seu dono. Assim é com a vida. Somos inquilinos de uma existência cujo proprietário é um ser superior — Deus. Dele recebemos esse bem precioso para usufruir, desfrutar, administrar… habitando essa casa que é o nosso corpo, físico e espiritual. Um dia nascemos. Ao longo do tempo crescemos. E, um dia, devolveremos a Ele aquilo que recebemos como empréstimo. A vida não nos pertence. Não somos donos de nós mesmos. Temos, apenas, o tempo… e as decisões do que fazemos com ele. Assim como em um contrato de locação existem obrigações ao inquilino — cuidar, preservar, não descaracterizar o que lhe foi confiado — também nós, mesmo sem assinar documento algum, temos deveres diante do nosso Criador. A vida que recebemos é para ser cuidada, construída… e colocada a serviço dos outros. Somos inquilinos e administradores dela — não deveríamos vivê-la de forma egoísta, como se fosse apenas nossa. Nossas ações do dia a dia expressam a “parcela” que vamos entregando ao verdadeiro Dono. Às vezes, esse custo é exigente… mas faz parte da responsabilidade de viver. Ser inquilino também nos lembra que tudo é passageiro. O inquilino não permanece para sempre — ele está de passagem. E assim somos nós: peregrinos neste mundo, a caminho de uma morada definitiva. Por isso, enquanto esse dia não chega… cuidemos bem daquilo que nos foi confiado: a vida. Para que, quando formos chamados a prestar contas, possamos devolver tudo como Ele espera encontrar.