
Morando em uma chácara no interior, um homem ganhou de presente três cachorros. Foi buscá-los com sua carroça e amarrou os três na parte traseira do carro de bois. Um dos animais rebelou-se contra a coleira e contra a viagem. Mordia a corda, resistia e acabava sendo arrastado. Outro cachorro, ao perceber que não havia alternativa, apenas aceitou a situação e seguiu obedientemente atrás da carroça. Já o terceiro pulou para dentro dela e, confortavelmente, fez sua viagem. De certa forma, essa alegoria retrata a vida humana. Todos nós temos um ponto de partida e um ponto de chegada. O que nos cabe escolher é a maneira como percorremos o caminho. O primeiro grupo é o dos revoltados. São aqueles convencidos de que o mundo conspira contra eles, de que o destino lhes foi injusto e de que a vida sempre pesa mais em seus ombros do que nos dos outros. Caminham reclamando, resmungando e arrastando aquilo que consideram sua pesada cruz. O segundo grupo é formado pelos conformistas. Dizem: “Já que é assim, deixa como está.” Passam pela vida sem grandes revoltas, mas também sem grandes paixões, entusiasmo ou alegria. Existe, enfim, o terceiro grupo: o dos que aceitam a realidade como ela é e procuram descobrir a melhor forma de seguir viagem. Se a vida lhes entrega um limão, transformam-no em limonada. Essas três atitudes se repetem em todas as áreas da existência. No casamento, por exemplo, há quem viva lamentando escolhas passadas. Há quem se acomode em relações marcadas pela rotina e pelo tédio. E há quem, com maturidade, escolha enfrentar os desafios com diálogo, perdão e disposição para construir algo melhor. Também na espiritualidade vemos esses perfis. Há os que vivem sua fé apenas por obrigação, criticando tudo e todos. Há os que a praticam por hábito, de forma automática, sem maior entusiasmo. E há aqueles que fazem da espiritualidade uma fonte genuína de sentido, evolução e sabedoria para viver. A vida sempre nos colocará diante de circunstâncias que não podemos mudar e de outras que exigirão nossa ação. A verdadeira sabedoria está em discernir uma coisa da outra e escolher, todos os dias, a melhor maneira de seguir viagem.