
Washington sabia o dia, a hora, o local e o motivo. Quando os Estados Unidos lançaram o alerta para um atentado com vítimas em massa em Moscovo, a precisão da informação, intercetada pelo FBI nas comunicações de um jovem ligado a um grupo neonazi russo, deixou o Kremlin em sobressalto: o alvo seria um museu no sul da capital, no 25.º aniversário de um dos crimes mais odiosos dos *skinheads* contra minorias étnicas. Entre homens armados no telhado do mausoléu de Lenine, 50 torres de defesa aérea em redor da residência de Putin e o caos nos aeroportos moscovitas, a Rússia mostra a face de um poder que se blinda. Ao mesmo tempo, uma rara pausa nos combates, em Leste, permitiu uma operação humanitária (com propaganda à mistura), enquanto Kiev continua a incendiar refinarias russas, a afinar mísseis com parceiros europeus e a abater drones. Com novas conversações marcadas para 4 de novembro, e um Kremlin que já pede para não se esperar grande coisa, José Milhazes e Nuno Rogeiro dissecam uma guerra em que o inverno, a divisão europeia e a teimosia ucraniana pesam tanto como os mísseis. See omnystudio.com/listener for privacy information.