Ex-professor de Química, Magalhães Júnior lembrou de uma frase do francês Antoine Lavoisier, que é considerado o pai da Química moderna: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Na TV brasileira, que é o nosso enfoque, acontece algo que lembra parte da frase. A criação existe, mas muitas vezes ela tem traços, em maior ou menor escala, da transformação de algo já criado. Por isso, no programa de hoje, iremos apresentar programas e personagens que – ainda que distantes – estiveram ou estão ligados a um mesmo conceito sem que tenha havido uma cópia. Jornalismo televisivo: O programa “Globo Repórter” carrega semelhanças com “Amaral Netto, o Repórter”. Mas o formato surgiu em 1963 com o programa “A Grande Jornada”, apresentado por Carlos Gaspar, jornalista que criou o “Esta é a sua vida”. Esportes: Na primeira metade da década de 1980, Luciano do Valle levou para a TV Bandeirantes o “Show do Esporte”. O programa dominical promoveu várias modalidades coletivas, como vôlei, hóquei sobre patins, futebol master, basquete americano... Também modalidades individuais, como boxe e sinuca. Um dos maiores nomes da sinuca brasileira foi Rui Chapéu. O “Show do Esporte” promoveu, inclusive, encontros internacionais entre brasileiros, como Rui Chapéu e Roberto Carlos, e astros internacionais, casos de Stevie Davis (inglês) e Toni Meo (americano). Também em 1963, a TV Excelsior já tinha programas com apresentação de bilhar, masculino e feminino. Humor: Algumas vezes o público confunde remake com cópia. Remake nada mais é do que uma reedição, em outra época, de algo criado anteriormente. Posso citar dois exemplos, entre tantos outros. Nos anos 1960, pela TV Record, Nair Bello e Renato Côrte Real fizeram enorme sucesso com o casal Santinha e Epitáfio, criação do próprio Renato. Quase 30 anos depois, com autorização de Ricardo Côrte Real, filho de Renato, a TV Globo apresentou, no “Zorra Total”, o mesmo quadro Santinha e Epitáfio, interpretado por Nair Bello e Rogério Cardoso. Nos anos 1990, nós assistíamos à “Escolinha do Professor Raymundo” encabeçada por Chico Anysio e hoje temos o seu remake com Bruno Mazzeo, filho do Chico, no comando. João Canabrava, personagem bebum criado por Tom Cavalcante, já esteve na Escolinha. Em 1961, o ator Homem de Mello lançou o seu Zé Pinguinha, que tinha um bordão que virou até marchinha de Carnaval: “Lá em casa todo mundo ó...” Novela: Na novela “O velho, o menino e o burro”, exibida pela TV Tupi em 1975, o menino Peto (Zé Luiz Pinho) conversa normalmente com o burrico. Antes disso, em 1970, também pela TV Tupi, um garoto conversava com uma árvore em “Meu pé de laranja lima”, que teve dois remakes na TV Bandeirantes (1981 e 1998). Em 1968, Ronnie Von interagia com um “ser de lata” em “Ronnie Von e o seu Robô”, programa que ficou pouquíssimo tempo no ar.