Chegou a vez de Magalhães Júnior, especialista em televisão, homenagear três grandes nomes masculinos, todos eles muito importantes, mas que hoje pouco são lembrados: Durval de Souza, Ribeiro Filho e Otelo Zeloni. 🟠 DURVAL DE SOUZA Durval de Souza nasceu em Matão (SP) em 1923 e faleceu em 1982. Ele largou a Faculdade de Direito para começar a cursar a Escola de Arte Dramática. Em 1953, ele recebeu um convite para ser chefe de estúdio na recém inaugurada TV Record, mas sempre foi considerado um “faz-tudo”. Durval possuía um talento nato para fazer humor e comédia . Tanto que, em 1955, ele recebeu o Troféu Roquette Pinto como revelação masculina da televisão por sua participação humorística no programa "Big Show Peixe". Esse foi o primeiro de uma série de troféus Roquette Pinto – e outros do gênero – recebidos por Durval. Ele ganhou como melhor comediante, melhor ator, melhor produtor. O último, em 1963, foi como melhor produtor infantil. Ele foi também o melhor imitador caricato do ditador nazista Hitler que a TV brasileira já teve. Ele participou como Hitler de uma série humorística “Quem Bate” , paródia da série de guerra "Combate", em 1965. Ele se preocupava não só com a caracterização, mas também com a interpretação a ponto de aprender alemão para poder desenvolver melhor o personagem. 🟠 RIBEIRO FILHO João Martins Ribeiro Filho nasceu em São Paulo em 1917 e, com apenas 19 anos, estreou como locutor na Rádio São Paulo. Com uma voz invejável e dono de um vasto repertório cultural, Ribeiro Filho passou por importantes emissoras de rádio de São Paulo até se fixar na Rádio Tupi nos anos 1940. Rapidamente passou a assinar seus próprios programas, como "Diversões Castelo". Em 1950, poucos dias depois da inauguração da TV Tupi de São Paulo, Ribeiro Filho já começava a emplacar vários programas – em geral, peças teatrais de uma hora de duração – tais como "O destino tem duas pernas" , "Nossa roupa, nossa alma" e "Um sonho morre no inverno". Sua tendência maior era na criação de programas que tivessem comédia. Foi assim em “A sogra que Deus me deu”, com Maria Vidal, em 1955, e “Há um broto em meu futuro”, em 1960, em que também atuou como ator. Um de seus maiores sucessos na época foi "Filho de Peixe", programa de meia hora de duração, que tinha o ator Flávio Pedroso como um dos principais nomes do elenco. Era um programa muito divertido, capaz de juntar Dom Quixote e Sherlock Holmes numa mesma aventura, usando os maiores nomes do elenco da TV Tupi. 🟠 OTELO ZELONI Nascido em 1921, Otelo Zeloni costumava dizer que era romano, e não italiano. Por causa de sua paixão por aviões, ele tirou brevê de piloto na Itália e acabou convocado pela aviação militar quando estourou a Segunda Guerra Mundial, em 1939. Ele teve três acidentes aéreos, mas sempre escapou ileso. Para a sorte dele, da guerra e também nossa, Zeloni se livrou de ir para o front pilotando um bombardeiro justamente por causa do Armistício. Com o final da guerra, não se sabe como, Zeloni conseguiu cópias de filmes italianos. O que ele fez? Colocou tudo numa mala, pegou um avião e viajou para negociá-las na Argentina. Ali ele conheceu os integrantes da Companhia Italiana de Revista, que tinha excursão marcada para o Brasil. Ele fez um teste e foi aprovado como ator. Depois da excursão, a trupe voltou para a Itália. Zeloni desistiu da Argentina e resolveu ficar no Brasil. Foi contratado para atuar no Teatro de Revista brasileiro. Até que em 1957 ele foi convidado a estrelar uma série na TV Tupi de São Paulo. A série, de Walter George Durst, tinha como protagonista o Padre Dom Camilo. E assim Zeloni experimenta seu primeiro sucesso na TV com “O pequeno mundo de Dom Camilo”. Seu maior sucesso na TV foi "Família Trapo", que estreou em 1967. Era exibido aos sábados, às 8 da noite, com Zeloni, Ronald Golias e Jô Soares, formando o trio de humor.