
esta cidade está moribunda não foram sete hienas tresmalhadas no clamor da avenida ninguém pediu pela mulher que engana a carne por um dia de canto ouvem-se risos e os cafés estão cheios gente soçobrada que não pára de beber o galão de invectivar a tristeza ou o azedume em fila de espera na paragem do autocarro, a mulher das varizes o homem do escarro, o moço das Belas Artes as mãos nos bolsos remoem pedras, paus e beatas as mesmas pedras os mesmos paus as mesmas beatas e o cheiro a kispo molhado não encobre a frialdade nem a nortada o pestilento riso da cidade Júlio do Carmo Gomes