
"Marchai contra esse instrumento impuro e transgressor! Caminhai pelas ruas em busca da purificação da cristalina música popular brasileira!" A passeata ou marcha contra a guitarra elétrica ou, também chamada Passeata da MPB, foi um movimento ocorrido em São Paulo no ano de 1967. Liderada por Elis Regina e acompanhada por artistas da Música Popular Brasileira como Jair Rodrigues, Edu Lobo, Geraldo Vandré e, pasmem, Gilberto Gil, a passeata tinha o objetivo de defender a música nacional contra a invasão da música internacional. Este movimento ganhou este nome pois para os adeptos desta marcha a música feita no Brasil tinha que ser “puramente brasileira” (como se isso fosse possível) e a utilização da guitarra simbolizava “americanizar" a música brasileira. A conjuntura é muito maior que isso. O Brasil vivia uma ditadura onde quem contribuiu para o golpe ocorrer em 1964 foi também os Estados Unidos, o país que criou o famigerado instrumento. Com o slogan “Defender O Que É Nosso” o evento também foi um ato político contra o imperialismo estadunidense. Até mesmo os apoiadores do golpe também não simpatizavam com o instrumento. Para os conservadores a guitarra era um instrumento revolucionário, barulhento e marginal. Tudo parecia estar desafinado no caminho desse instrumento na terra tupiniquim. Odiados por uns, mais odiados por outros. Porém, para a nossa alegria a guitarra não foi varrida do mapa brasileiro. Todos os dias damos palhetadas e arrebentamos cordas por todo o território nacional. ✅ Gostou do conteúdo? Deixe o seu like. 👍 ✅ E se inscreva no canal para ficar por dentro de todos os conteúdos sobre a História da Música. Siga: https://www.instagram.com/profalexandresaggiorato/