
Rubens Pinheiro definitivamente não era uma criança comum. Desde pequeno vivia agitado e dando muito trabalho para os pais. Uma possível criança hiperativa. Mas, felizmente, ele soube usar a sua hiperatividade pra fazer algo incrível. Aos 16 anos, após tentar fugir de casa algumas vezes antes, ele decidiu fazer algo já suficientemente incrível: ele foi andando de Salvador ao Rio de Janeiro. No caminho ele conheceu um pernambucano chamado Mauricio Monteiro, que fazia uma viagem de bicicleta de Recife até Buenos Aires. A tradicional rivalidade entre os dois estados fez com que Mauricio ironizasse a Rubens a falta de coragem dos baianos. E como toda boa criança agitada, Rubens usou isso como combustível pra superar o colega de viagem louca. Rubens Pinheiro havia decidido que iria de bicicleta de Salvador a Nova York. Algo que fez alguns comerciantes acreditarem no rapaz e apoiá-lo fazendo com que Rubens conseguisse juntar dez mil réis, algumas roupas, uma arma e um livro feito para a viagem, com capa de couro de cobra e páginas em branco para serem preenchidas durante a viagem. No dia da sua partida, 15 de março de 1927, ele declarou para um jornal local: "Estou disposto a tudo, inclusive a passar sede e fome, sofrer aborrecimentos, raspar sustos (e que Deus me livre das sussuaranas e das jararacas!), carregar a bicicleta nas costas. Quero conhecer Nova York sem ser em fotografia". Os próximos dois anos da vida de Rubens foram de intensa aventura pelos seus 18 mil km, atravessando a fronteira de 11 países. Após todo esse incrível feito, Rubens deixou inúmeras memórias gravadas em seu livro. Mais tarde, após voltar a Salvador, publicou esse livro com o título "Raid em bicicleta - Herói esquecido". Infelizmente durante o resto de sua vida, Rubens não obteve outros reconhecimentos pela viagem.