
Perseguido pelos caçadores, um pobre veado escondeu-se bem quietinho dentro de cerrada moita. O abrigo era seguro, e tanto que por ele passaram os cães sem perceberem coisa nenhuma. Salvou-se o veado; mas, ingrato e imprudente, logo que ouviu latir ao longe o perigo, esqueceu o benefício e pastou a benfeitora — comeu toda a folhagem que tão bem o escondera. Fez e pagou. Dias depois voltaram novamente os caçadores. O veado correu em procura da moita — mas a pobre moita, sem folhas, reduzida a varas, não pôde mais escondê-lo, e o triste animalzinho acabou estraçalhado pelos dentes dos cães impiedosos. Monteiro Lobato