
Aconteceu há trinta anos, foi trágico mas quase já não se fala disso. Começou no dia 7 de Abril. Durou apenas 100 dias. Morreram cerca de 1 milhão de pessoas. Foi o genocídio do Ruanda. Foi em 1994. Ainda arrepia só de pensar nisso… Foi um genocídio porque houve de facto uma tentativa deliberada, uma campanha sistemática contra uma comunidade concreta, neste caso, os tutsis. Esta tragédia terá sido espoletada com a morte do presidente do Ruanda, um hútu, com o derrube, por um míssil, do avião em que viajava. Foi a 6 de Abril. Nunca se apurou efectivamente a responsabilidade pelo abate do avião, mas para a história esse terá sido o elemento, o momento que desencadeou a violência contra os tutsis. Em menos de 24 horas, tudo estava a começar. Agora, trinta anos depois, é necessário ainda fazer a reconciliação. É sempre assim. A paz verdadeiramente não acontece quando as armas se calam mas quando os dedos deixam de estar no gatilho das armas, prontos a disparar. Cem dias de genocídio. Vizinhos mataram vizinhos. Houve casos de maridos que mataram as mulheres… Foi uma insanidade total, uma brutalidade, uma catástrofe. Ainda arrepia só de pensar nisso… Trinta anos depois, muitas pessoas ainda estão traumatizadas e a reconciliação ainda é necessária nesta sociedade, neste país. Falo hoje desta história para dizer que no Ruanda há, no entanto, muitas pessoas que fazem um trabalho incrível, discreto, silencioso, mas fundamental. Pessoas que, no dia-a-dia, procuram construir a paz com gestos de bondade. Pessoas simples, generosas, que com toda a simplicidade, com toda a paciência, vão tratando dos que precisam de ajuda, muitos deles idosos, muitos deles ainda com a memória carregada desses 100 dias de medo e de morte. Estas pessoas, estes pacificadores são pessoas comuns, pessoas como nós, mas são, simultaneamente, especiais. Vivem para os outros, vivem para tratar dos outros, para secar feridas, para secar lágrimas, para abraçar os que estão esquecidos e abandonados. Muitos destes pacificadores são padres e irmãs. Uma delas é apoiada pela Fundação AIS. É a irmã Cecília. Fica aqui o convite para irem à página da Fundação AIS na internet, em fundação-ais.pt, e procurarem por ela: irmã Cecília, Ruanda. Basta escrever isso. Ela vai aparecer logo à vossa frente com um sorriso tímido. Um sorriso tímido que tem feito mais do que muitos discursos pela reconciliação e a paz no Ruanda. É fantástico podermos apoiar pessoas assim, como a irmã Cecília. PA