
Ide e tende bom ânimo Jesus deixou aos Seus discípulos uma direção clara: “Ide”. Fomos enviados para o mundo e, ao obedecermos, temos a promessa da Sua presença conosco. A seara é grande e os trabalhadores são poucos, mas ela tem dono. Quando percebemos que a obra é maior do que nós, nossa reação não deve ser desespero, mas oração: rogamos ao Senhor da seara que envie trabalhadores.¹ Ao voltarmos para casa, para a faculdade, o trabalho e nossa rotina, encontraremos pressões, aflições e situações capazes de produzir desânimo. Porém, Jesus nos deu um mandamento: “Tende bom ânimo”. Isso não é pensamento positivo nem uma tentativa de produzir boas sensações. O nosso ânimo está em uma Pessoa: Jesus Cristo.² Esse mandamento revela algo da identidade que Deus nos deu. A graça não é permissão para pecar ou permanecer abatidos, mas poder de Deus para obedecer. Podemos estar sinceramente desanimados e, ainda assim, dar passos de fé concordando com aquilo que Cristo declarou. Jesus pronunciou essas palavras em um momento de enorme pressão. Estava caminhando para a cruz e sabia que Seus discípulos o abandonariam, mas permanecia entregue ao Pai. Ele não nos ordena algo que nunca viveu. Cristo venceu e, nele, podemos permanecer firmes. Uma das fontes desse bom ânimo é lembrar de onde somos. Jesus sabia que viera do Pai e voltaria para o Pai. Também nós precisamos viver como peregrinos, conscientes de que viemos de Deus e nosso destino está nele. Quando nossa referência está apenas nesta vida, nossa resistência às aflições se torna pequena. Quando a referência é a eternidade, recebemos graça para perseverar.³ Também precisamos romper a dependência dos momentos extraordinários. Jesus venceu no ordinário: andando, trabalhando, comendo, descansando, servindo, sendo amado e sendo rejeitado. Nossa vida não precisa mudar de circunstâncias para recuperarmos o ânimo. Precisamos enxergar Cristo presente naquilo que chamamos de rotina. Outra mentira que acompanha o desânimo é a sensação de solidão. Jesus sabia que seria deixado pelos discípulos, mas declarou: “Não estou só, porque o Pai está comigo”. Também recebemos a promessa de que Deus nunca nos deixará nem nos abandonará. A solidão pode ser uma sensação real, mas não corresponde à realidade de quem está em Cristo.⁴ Por fim, a ênfase da palavra de Jesus não está nas aflições, nem sequer no bom ânimo, mas nesta declaração: “Eu venci o mundo”. Nosso coração se fortalece quando deixamos de depender de resultados, desempenho e expectativas terrenas e passamos a descansar naquilo que Cristo já realizou. Somos enviados, portanto, não como pessoas capazes em si mesmas, mas como discípulos que sabem que Jesus venceu. Vamos para os de dentro e para os de fora, assumindo o ministério da reconciliação, amando os perdidos e respondendo novamente ao chamado do Senhor: “Eis-me aqui”.⁵ Perguntas para reflexão: Tenho obedecido ao chamado de Jesus para ir? Como costumo reagir quando percebo que a seara é maior do que minhas forças? Meu ânimo depende das circunstâncias ou da vitória de Cristo? Tenho lembrado de onde sou e mantido minha referência na eternidade? Tenho condicionado minha alegria a momentos extraordinários? Em quais situações tenho confundido sensação de solidão com a realidade da presença de Deus? Que expectativas terrenas preciso entregar para descansar na verdade de que Jesus venceu? Para quem Deus está me enviando nesta semana? ¹ Mt 28:18-20; Lc 10:1-2. ² Jo 16:28-33. ³ Jo 15:4-5; Fp 3:20; 2Co 4:17-18. ⁴ Jo 16:32; Hb 13:5-6. ⁵ 2Co 5:18-20; Mt 9:36-38.