
27ª pregação catequética em uma série de sermões na Confissão Belga. Sermão expondo o artigo 24 da Confissão Belga. Sermão pregado pelo pastor Elienai Batista no culto vespertino do dia 18 de outubro de 2026 na Igreja Reformada de Campinas. campinas.igrejareformada.org ARTIGO 24 — A nossa santificação e as boas obras Cremos que essa fé verdadeira operada no homem pelo ouvir da Palavra de Deus e pelo agir do Espírito Santo, regenera-o e torna-o um novo homem; faz com que viva uma vida nova e o liberta da escravidão do pecado. Por isso, não é verdade que essa fé justificadora o torna indiferente para viver uma vida santa e boa. Ao contrário, sem ela, ninguém jamais poderia fazer algo por amor a Deus, mas somente por amor a si mesmo ou por medo da condenação. É, portanto, impossível que essa fé santa seja inoperante no homem, porque não falamos de uma fé vã, mas da que a Escritura chama de “a fé que atua pelo amor” (Gl 5.6). Essa fé leva o homem a exercitar-se nas obras que Deus ordenou em sua Palavra. As boas obras, que procedem da boa raiz da fé, são boas e aceitáveis à vista de Deus porque são todas santificadas pela sua graça. Apesar disso, elas não cooperam para a nossa justificação porque é pela fé em Cristo que somos justificados, antes mesmo de fazermos quaisquer boas obras. De outro modo, essas obras não poderiam ser boas, assim como o fruto da árvore não pode ser bom, se a árvore não for boa. Por isso, praticamos boas obras, mas não para termos mérito; pois que mérito poderíamos ter? Antes, somos devedores a Deus pelas boas obras que praticamos e não ele a nós, “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Tenhamos sempre em mente o que está escrito: “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17.10). Contudo, não negamos que Deus recompensa as boas obras, mas é pela sua graça que ele coroa os seus dons. Além disso, embora pratiquemos boas obras, não baseamos nelas a nossa salvação. Pois, nada podemos fazer, por mínimo que seja, que não seja contaminado pela nossa carne e que não mereça punição. Ainda que pudéssemos apresentar uma única boa obra, a mera lembrança de um único pecado seria suficiente para Deus rejeitá-la. Assim, estaríamos sempre em dúvida, lançados de um lado para o outro sem certeza alguma e com a nossa pobre consciência sempre atormentada, se não confiássemos no mérito do sofrimento e da morte do nosso Salvador. “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.” (Efésios 2.10)