
Para filósofo, matéria ajuda adolescentes a enfrentarem questões cruciais dessa fase da vida. Renato Janine Ribeiro é professor de ética e filosofia da USP e defende que é possível inspirar, gerar reflexão e ao mesmo tempo ensinar, sem deixar o conteúdo curricular de lado. Ex-ministro da educação (2015), ele afirma que a filosofia estimula a razão e o senso crítico e nos convida a pensar sobre as questões éticas do nosso tempo. Para ele, o Brasil está em um momento em que há uma forte reação contra o questionamento. Com isso, alguns veem a sociologia e a filosofia, por exemplo, como matérias de menor importância na escola. “Há pessoas que, por algumas razões, foram levadas a querer verdades fechadas, imutáveis, sem mais dúvidas a respeito. Isto é contrário à ciência do saber”, afirma. “Não se melhora a educação gerando conformismo. Você melhora a educação fazendo pessoas contestarem o conteúdo”. Docentes de filosofia têm capacidade de lançar mão de formas de pensamento muito diversificadas entre si, ao proporcionar que sejam acessados 2.500 anos de pensamentos, de acordo com o entrevistado. Com isso, a filosofia é útil sobretudo no ensino médio. “Ela tem papel relevante na formação das pessoas para a vida, em especial para os adolescentes, período em que as pessoas passam a ter autonomia e deparam-se com uma quantidade gigantesca de novidades”. Janine estimula que se repense a formação dos alunos e, consequentemente, perceba-se que filosofia tem a ver com o sentido que construímos para nossas vidas. Uma aula da matéria “pode ser confinada no pensamento de um único filósofo ou propor uma diversidade de ideias que colocam o jovem diante de suas grandes escolhas na vida”, conclui.