
A etimologia se caracteriza pelo estudo da origem das palavras e de suas mudanças de significado. No grego, “etymos” corresponde a verdadeiro e logos a estudo, tratado. A definição está no livro “De onde vêm as palavras”, escrito pelo doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) Deonísio da Silva. “Os gregos, antigos gregos, antigos latinos, eram muito preocupados – inclusive em debates, no Senado Romano –, com o significado verdadeiro da palavra, aquele que a palavra tivera no berço. Isso não quer dizer que aquilo que está lá no berço ficou exatamente assim. É como nós. Nós fomos um dia crianças, só recorríamos ao choro; tínhamos uma aparência, um tamanho, umas medidas, um peso, e nos alteramos muito. Com as palavras, deu-se algo semelhante”, ilustra o professor. É dessa forma, misturando filosofia e curiosidades, que ele defende a importância da etimologia e lamenta o fato de a origem das palavras ter pouco espaço nos currículos escolares atualmente. “As crianças têm muito interesse por saber de onde as palavras vieram. Esses saberes, que têm sabores deliciosos, tornam mais interessante o ensino da língua portuguesa e de todas as disciplinas”, acredita. A origem de 'aluno' No áudio, além de falar sobre como imagina que a etimologia pode ser ensinada na escola, Deonísio da Silva comenta de onde vêm palavras ligadas ao universo escolar e desmistifica que aluno tenha o significado de “sem luz”, como correntemente se ouve dizer. “Aluno veio do latim alumnus, aquele que se alimentava ou que alguém era encarregado de alimentá-lo. O Império Romano tinha muitos órfãos, por motivos óbvios. Era um império guerreiro, perdia muitos pais. E então eles eram criados, ‘alimentados’, por terceiros – a mãe não dava conta de todos”, explica. Confira: 5 livros para inspirar o ensino da intertextualidade em sala de aula Era a esse ato de cuidar da criança e ensinar a ela os preceitos do convívio, que se chamava aluno. Alumnus vem do verbo ‘alere’ que é ‘alimentar’, “mas não é no sentido de que você apenas alimenta, porque se alguém não quiser comer, não come. Veja, na etimologia de alumnus, já tem a parceria do professor e do aluno”, completa Silva. Ainda sobre o vocábulo “aluno”, ele acrescenta: “é impossível formar uma palavra ‘sem luz’ com ‘alunos’, porque o ‘a’ negativo é grego, não é latino (...)luz, em latim, é ‘lux’, lume é ‘lumen’”. Ainda no podcast, o escritor traz uma antecipação do próximo livro, em que está pesquisando de onde vêm os palavrões. “Por que para ofender uma pessoa de quem não gostamos, ofendemos a mãe dele? Junto com o estudo dos palavrões, vêm os conceitos da opressão da mulher na sociedade em que vivemos, nesta formação patriarcal. Ninguém diz ‘olha, você é um filho do pai’, não é? Você diz ‘você é filho da mãe!”, cita em justificativa sobre o novo estudo. Veja mais: Línguas indígenas e africanas enriquecem vocabulário do português brasileiro