
Professor e historiador refletem sobre os riscos do extremismo político no Brasil e no mundo. Quais as consequências do crescimento de ideologias de ultradireita no Brasil e no mundo? O Instituto Claro buscou a resposta com o doutor em ciências sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Marília (São Paulo), e professor de teoria política na mesma instituição, Jefferson Rodrigues Barbosa. Há mais de uma década, ele se dedica à pesquisa de temas sobre extremismos políticos de direita e pensamento conservador. “Não se trata de um fenômeno atípico, de uma crise da situação brasileira descolada da realidade mundial. O cenário internacional também caminha para uma conjuntura de radicalismos políticos, mas, aqui, a situação se tornou bastante grave, porque esses movimentos chegaram ao poder”, afirma. No áudio, o professor explica que riscos esta ascensão da ideologia neoconservadora pode trazer às democracias dos países em que estão acontecendo. Ele também diferencia a origem do integralismo no Brasil, que teve força, principalmente, a partir da década de 1930; das ideologias nazistas, que são identificadas como uma defesa da supremacia branca; e fascistas, que defendem um estado nacional, exércitos e partido único fortes. No podcast, você acompanha ainda a participação do historiador e documentarista Zeca Pires, diretor do documentário “Anauê – o Integralismo e o Nazismo em Blumenau”. Ao trazer depoimentos de pesquisadores, populares e militares, o filme discute o que aconteceu na região do sul do país, antes, durante e no pós-guerra. “Eu acho importante saber como foi este período do nazismo, do fascismo, da Segunda Grande Guerra , para que não se repitam coisas como genocídio e ódio”, resume sobre o propósito da obra. Para ele, o filme é uma forma de refletir sobre o presente, especialmente em um momento em que ideologias reacionárias têm se fortalecido no Brasil e no mundo. Para Jefferson Barbosa, o maior problema do país, atualmente, é que “há uma manifestação bastante contundente de repúdio às instituições democráticas. Então, é um clima de radicalização política no Brasil que nós, dentro das ciências sociais, gostamos de denominar sob a terminologia de ‘Processos de Fascistização’”, conclui. Imagem: Imagem aérea mostra suástica nazista decorando fundo de piscina da casa de um professor de história, em Pomerode (SC). Acontecimento é citado no documentário “Anauê!” (crédito: Polícia Civil de Santa Catarina/Divulgação)