
Jovens da periferia descobrem na arte uma forma de batalhar contra o racismo, a opressão policial, a desigualdade social e toda sorte de preconceitos. Este é o mote do livro “Batalha!”, de Valdir Bernardes Jr. e Tânia Alexandre Martinelli, que é uma das entrevistadas deste podcast. “A literatura é o melhor caminho de se colocar na vida do outro: trazendo realidades diferentes, fazendo os jovens pensarem, pra gente tentar ser uma sociedade menos preconceituosa”, acredita a coautora, que tem dezenas de títulos voltados para o público juvenil. Na história, Tati é moradora do bairro de Pirituba, em São Paulo, e está em sua jornada para se tornar poeta, e Henrique e sua turma, no Morro do Horácio, em Florianópolis, promovem batalhas de rap, de dança e, sobretudo, pela vida. O engajamento com a cultura hip-hop e a poesia podem gerar atividades interessantes para a sala de aula, conforme aponta Thiago Braga, professor de língua portuguesa do Sistema de Ensino PH. “É possível pedir para que os alunos façam uma comparação entre ‘O Bicho’, Manuel Bandeira, e o ‘Tem gente com fome’, de Solano Trindade, e busquem identificar na obra momentos em que trechos desses poemas possam ser enquadrados, encaixados. Em que momento determinado personagem passou por uma situação que pode ter relação com um desses dois poemas?”, sugere.