
Especialista em segurança pública aponta a educação como um dos caminhos para mudar esse quadro. Cientista política e especialista em segurança pública, Ilona Szabó de Carvalho é coautora do livro “Segurança pública para virar o jogo”. Diretora-executiva do Instituto Igarapé Szabó conversou com o Instituto NET Claro Embratel sobre o que torna o Brasil um dos países recordistas em mortes violentas no mundo e como é possível mudar essa realidade. Na entrevista, ela aponta fatores como desigualdade social, desemprego, baixa escolaridade e um processo acelerado de urbanização como responsáveis pelos altos índices de homicídios no país e alerta que “o medo, a raiva e o ódio cegam nosso lado racional”, o que pode tornar o quadro da segurança pública ainda pior. A prevenção e o entendimento de que segurança pública não é só responsabilidade das polícias, mas sim de uma ação compartilhada de todos é fundamental. Para ela, está equivocada a visão de que a segurança é um papel só de repressão. “Precisamos investir em um conjunto de ações que envolva a prevenção e o policiamento inteligentes, com apoio na tecnologia, que ajuda a ter mais transparência nas ações e a melhorar o repositório de dados.” “Segurança pública para virar o jogo” traz dados atuais que apontam mais de 60 mil assassinatos por ano no Brasil, mais da metade deles atingindo a população entre 15 e 29 anos. “Temos no Brasil um déficit educacional. Sabemos onde estamos perdendo nossos jovens e quais os investimentos para reverter isso”, afirma. Szabó indica que a questão começa ainda na primeira infância, em que o excesso de exposição à violência em crianças gera sequelas físicas, emocionais e neurológicas. Para Ilona, a virada de jogo na segurança pública começa ainda na primeira infância (crédito: Alexandre Fukugava) O livro, que assina com Melina Risso, traça um panorama do sistema de segurança pública e justiça criminal no Brasil e aponta soluções para tornar o cotidiano das cidades menos violento. Na entrevista em formato podcast, Szabó explica ainda porque uns morrem mais que outros e que a discriminação social e racial também gera distorções e distanciamento de parcela da sociedade em relação ao tema. “Tem esta máxima na sociedade de que bandido bom é bandido morto. Eu sempre digo: bandido bom é bandido preso e recuperado, porque essas pessoas voltam para a sociedade”, conclui. Créditos: As músicas utilizadas na edição do áudio, por ordem de entrada são “Tempo perdido” (Renato Russo), com Legião Urbana, “A carne” (Seu Jorge), com Elza Soares, “Polícia” (Tony Bellotto), com Titãs.