
Olavo Bilac chegou ao fim de seus dias antes de terminar de revisar o livro “Tarde” , que aparece na lista de livros do vestibular da Universidade Estadual de Campinas em 2022. Pertencente ao parnasianismo – escola literária pautada pela criação de poesias que valorizavam o rigor da métrica e a linguagem culta – o poeta sofreu forte oposição dos modernistas. “Era um movimento ‘alienado’. Nesse sentido, de não se envolver com as grandes questões sociais. Se você soma isso à questão da preocupação formal, dos poemas muito bem rimados e metrificados, pronto, a gente tinha exatamente tudo aquilo que o modernismo queria combater”, resume o professor e autor do material de literatura do Sistema Anglo de Ensino Eduardo Calbucci. O título do livro faz menção à luz crepuscular e diversos poemas se referem ao entardecer como metáfora para morte e crepúsculo. “Não é mais a manhã, é a tarde, quer dizer, é perto do anoitecer. Como se fosse realmente uma sugestão do final da própria vida”, explica Calbucci, ouvido pelo Instituto Claro nesta edição do podcast Livro Aberto.