
Mulher, mãe, profissional, tudo simultaneamente e no mesmo ambiente. A quarentena revela o desafio delas no trabalho, diante das relações afetivas e da vida pessoal. Para entender como lidar com essas múltiplas jornadas e, ao mesmo tempo, lutar pela igualdade de gênero e pelo respeito aos desejos individuais, o Instituto Claro conversa com a psicanalista e professora Maria Lucia Homem. “Não é mais o Deus ou o patriarca que vai dizer quem é você. É você que vai escolher o que você quer estudar, com quem você quer casar; como que você quer passar os seus dias. Afinal é você que vai estar fazendo sexo, que vai estar convivendo, conversando e trabalhando”, observa a psicanalista. No podcast, ela cita exemplos que demonstram que decidir sobre o próprio destino é a base da modernidade e explica porque o feminismo é necessário para que as mulheres tenham seus anseios respeitados.“Por que a gente precisa fazer uma afirmação? Porque a gente parte de um lugar negativo. É esse o ponto que, às vezes, dá um pouco de conflito”, aponta. E segue: “‘Opa, você não está com vontade de ser mãe, você é problemática’. ‘Você está querendo o que, ser oradora, ser escritora? Nã, nã, nã! Shhhhh’. Até que ao longo desses últimos séculos, sobretudo últimas décadas, a gente diz ‘alto lá!’. É uma luta necessária de equivalência de lugares subjetivos”. Essas e outras lutas do “eu” geraram o recém-lançado livro “Lupa da Alma – quarentena revelação”. Ao escrever um documento que traz um olhar da psicanálise sobre o ano de 2020, Maria Homem constata que o vírus é uma lupa e revela inúmeros problemas, sobretudo para as mulheres. “Aumento, sob qualquer ponto de vista, de violência doméstica, feminicídio. Sobrecarga sobre a mulher, no trabalho material de cuidado da casa; da carga mental, emotional labor; cuidado com a criança, cuidado com a educação, acompanhamento da escola, reuniões; diferença de salário, maior desemprego entre as mulheres; tudo que, não só os feminismos, mas todos os números, as pesquisas estavam mostrando há décadas, o ano de 2020 mostrou para a gente que é isso mesmo”, alerta.