
Mais importante do que a religião é a humanização. É dessa forma que o padre Júlio Lancellotti explica que compaixão, misericórdia e solidariedade são dimensões humanas, não religiosas. “A religião é um instrumento. Ela não é garantia de humanização, porque os ateus também podem ser bastante humanizados sem ter nenhuma religião. Ou os agnósticos”, afirma. O pasto Henrique Vieira concorda. Para ele, toda a experiência religiosa deve ter como fim a humanização e a sensibilização. Com 40 anos de sacerdócio e luta pelos direitos humanos, Lancellotti é pároco da Igreja de São Miguel Arcanjo, na Zona Leste de São Paulo. Desde o início da pandemia, destaca-se pelo amparo e proximidade com as pessoas em situação de rua, mesmo fazendo parte do grupo de risco da covid-19. Lancellotti considera importante oferecer ajuda humanitária, mas, para ele, conviver com pessoas em situação de rua e outras que estejam precisando de algum tipo de auxílio é ir além da simples caridade. “O trabalhar pode ser dar comida. O conviver é comer junto. E você só ama com quem você convive”, conclui. Essa visão é compartilhada pelo pastor Henrique Vieira, que tem no padre uma inspiração. No livro “O amor como revolução?”, de 2019, ele defende que o amor é mais que um sentimento, é uma atitude. “Amor é a base de tudo. É muito mais do que sentimento. É decisão, é atitude, é modo de viver e de se relacionar. O amor tem como fruto a justiça, a solidariedade, a construção de uma sociedade do bem viver para todas as pessoas”, acredita. No áudio, os dois trazem mensagens que vão além das religiões e defendem o respeito às diferentes, a escuta e a humildade.