
Os profissionais de saúde já eram acometidos pela síndrome de burnout, mas o aumento exponencial de demanda nos hospitais com a pandemia de covid-19 provocou uma elevação dos casos. É isso que aponta a professora do departamento de psicologia da Universidade de São Paulo (Ribeirão Preto) Marina Greghi, que pesquisa o assunto. “Verificamos um aumento da incidência nesses profissionais da síndrome de burnout, mas também de outros problemas de saúde mental — como ansiedade, depressão, estresse — em um nível mais alto que na população de forma geral”, observa. “Como a gente tem um ambiente agora de muita sobrecarga, muitas pessoas para serem atendidas, esses fatores de riscos aumentam. Alguns apareceram com a pandemia: maior insegurança de se contaminar, de contaminar a família. E outros se acentuaram: a falta de condições de trabalho, falta de equipamentos de segurança, equipes reduzidas.”, lista a professora. Este ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que a síndrome de Burnout seria classificada como doença crônica ligada ao trabalho. “Antes era colocado como uma responsabilidade do indivíduo, agora é compartilhada com a responsabilidade da empresa. Então essa nova classificação mostrou que as empresas também têm uma parcela de responsabilidade no desenvolvimento da síndrome”, conclui a administradora e fundadora da página “Vencendo o Burnout”, Helloá Regina, também entrevistada neste podcast.