
A lei que dá direito às mulheres de votar e se eleger no Brasil é de 24 de fevereiro de 1932. Mesmo depois de mais de nove décadas, no entanto, o Brasil ainda está muito distante de alcançar a paridade política. “O primeiro argumento que eu colocaria para a importância de ter mais mulheres na política seria a justiça da representação, quer dizer, a gente ter no congresso, no parlamento, um espelho do que é a nossa sociedade, para considerar que a gente tem uma democracia completa”, afirma a doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) Hannah Maruci Aflalo. Apesar de representarem pouco mais de 52% do eleitorado, as mulheres ocupam apenas 15,80% dos cargos eletivos, como os de deputadas, senadoras e prefeitas, tomando por base a eleição de 2020, de acordo com o site da Justiça Eleitoral. Nem leis que surgiram mais recentemente tiveram força para mudar este quadro. Desde 1997, por exemplo, 30% das pessoas que se candidatam por um partido devem ser mulheres. “O proporcional seria a gente ter, no mínimo, 50% de cadeiras para mulheres e, no mínimo, 25% para mulheres negras, o que levaria a uma equidade, uma paridade de gênero e de raça, mas a gente está muito longe de conseguir isso no Brasil. A gente está neste momento lutando para não fazer com que as cotas de candidaturas se tornem inócuas”, alerta a entrevistada.