
“Criando Crianças Pretas” usa internet para ajudar famílias a despertarem conscientização racial nos pequenos. Há diferença entre dizer que a criança é preta ou negra? Quando usar representatividade ou representação? A possibilidade de violência obstétrica é maior para mães negras? O Instituto Claro conversou com as idealizadoras do projeto “Criando crianças pretas” – rede de apoio e comunicação antirracista –, Paula Batista e Débora Bastos, para responder essas perguntas. No áudio, elas compartilham e comentam cinco postagens que repercutiram nas redes sociais da iniciativa e que tocam em questões importantes como essas. “A motivação para valorizar a cultura negra vem do fato de termos sido crianças pretas e das questões que sentimos falta de serem trabalhadas na infância”, resume Paula. A proposta de desconstruir o racismo em adultos e criar crianças livres de estereótipos já existia desde 2015, mas foi em 2019, quando o filho de Débora Bastos completou um ano, que a ideia ganhou as redes sociais. “O tema da comemoração foi ‘O Pequeno Príncipe Preto no Reino de Wakanda’, uma proposta de reflexão para os convidados, inclusive, de que não tinham crianças negras na festa de aniversário, que o universo em que eu vivo é um ambiente majoritariamente de pessoas brancas”, revela Débora, que tem um casamento inter-racial e participa, por telefone, no áudio. No podcast, você acompanha a análise deste e de outros quatro tópicos que se sobressaem nas redes sociais do projeto: o que distingue falar crianças pretas ou negras; porque a representação é importante, mas a representatividade é que promove mudanças; como o pensamento racista aumenta a violência obstétrica; e de que formas todos podem atuar na luta antirracista. O projeto “Criando Crianças Pretas” está em redes como o Facebook e o Instagram e, segundo Paula, as postagens levam em conta perguntas e comentários vindos dos internautas. “Vamos continuar fazendo posts sobre a importância de apresentar referências para além da beleza, para que a criança negra se veja em um lugar de potência, de pertencimento, de ser importante para a sociedade”, conclui. Crédito da imagem principal: divulgação