
Fundadora da Beaba, publicitária desmistifica termos oncológicos para esse público usando a tecnologia da informação. Voluntariado, empatia, conhecimento de causa e uma ajudinha da tecnologia permitiram que Simone Mozzilli pudesse ajudar crianças e adolescentes que estão passando pelo tratamento de câncer e seus acompanhantes. Com a ajuda de médicos e psicólogos, ela lançou um guia (livro), posteriormente transformado em jogo para smartphones, para apresentar, com leveza e didatismo, termos específicos da oncologia, para esse público. “O que a gente tentou fazer é explicar os procedimentos de uma maneira tranquila, clara e objetiva. Além dos pacientes, profissionais de saúde usam muito, porque eles veem que isso facilita a maneira deles falarem com o atendido e também o acolher”, explica Mozzilli, em entrevista ao podcast do Instituto Claro. A publicitária deixou o universo das agências para criar a ONG Beaba. Ela já ajudava crianças com câncer como voluntária desde 2008, quando foi internada em 2011 para remover o que seria um cisto no ovário. “Eu acordei na UTI e percebi que algo não estava certo, porque era pra eu acordar na sala de recuperação e depois ir para o quarto. Estava toda entubada.” Aos 34 anos, depois de nove horas de cirurgia, ela soube que estava com câncer em fase avançada. Ao se deparar com a realidade do tratamento em um hospital referência, o AC Camargo, em São Paulo, resolveu ampliar as ações junto a crianças e seus acompanhantes, com o objetivo de esclarecer todas as etapas pelas quais a pessoa em tratamento passa. “Alguém até falou uma analogia legal esses dias: ‘Você está num corredor escuro e, à medida que vai andando, alguém vai acendendo a luz’. Quando você já sabe o que vai fazer, o procedimento que você vai fazer, quando você já tem alguma ideia, isso te dá uma segurança maior.” A Beaba foi criada em 2013 e desenvolve ações e materiais para a criança ou adolescente aprender, de forma lúdica, o significado de expressões do mundo oncológico. A eficácia das ações foi comprovada em visita do Instituto Claro à ONG. No áudio, você acompanha os depoimentos de duas crianças e suas mães sobre o que mudou, após o contato com o guia “Beaba do Câncer”. “Eu não entendia várias coisas que faziam comigo, procedimentos, remédios… E o livro me deixou mais tranquila, sabendo que eram coisas simples de serem explicadas”, conta Valentina Massens, de 11 anos. Criatividade e bom humor fazem com que Simone Mozzilli diga que a vida dela se divide em aC e dC, antes e depois do câncer. Quando foi diagnosticada, ficou espantada com a falta de sensibilidade, por exemplo, ao receber um kit com xampu ao ser internada com a cabeça raspada. A fase “dC” a aproximou ainda mais das crianças, gerando empatia ao explicar cada etapa do tratamento, pois passou a dividir o que ela mesma estava vivendo. Imagem: Valentina e Cristina Massens, Simone Mozzilli, Patricia Ferreira e Isis Maria: conhecimento no auxílio ao tratamento do câncer (crédito: Marcelo Abud)