
Paulina Chiziane foi a primeira mulher moçambicana a publicar um romance em seu país. Em ‘Niketche’— que está na lista de livros do vestibular da Universidade de Campinas (Unicamp) em 2022 —ela apresenta a condição feminina e social que luta para desconstruir. “É muito importante a gente entender o quanto que essa mulher marca uma transição da literatura moçambicana – inclusive, [a partir dela] se passa a conceder a ideia de que mulheres participam da vida civil e se tornam profissionais de destaque.”, afirma o professor do Anglo Vestibulares Mauricio Soares Filho. Entrevistado nesta edição do Livro Aberto, no áudio ele destaca como a literatura de Chiziane está ligada ao resgate da cultura local e aborda temas considerados tabus em uma região em que a atividade literária é exercida quase em sua totalidade por homens. Também no podcast, o professor explica o título da obra, que foi lançada no Brasil em 2004: “Niketche é uma dança sensual, que a gente pode entender quase como uma dança do acasalamento. As meninas são preparadas, principalmente no norte do país, pra esse momento da iniciação sexual, inclusive acompanhadas por professoras”.